ENTRETENIMENTO

Com resíduos apreendidos, custudiados produzem brinquedos para pessoas com deficiência

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), deu início, neste mês de outubro, ao Projeto Recriando. A iniciativa, executada na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia, consiste no reaproveitamento de resíduos de madeira apreendidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como matéria-prima na fabricação de brinquedos lúdicos.

O projeto é fruto de uma parceria entre o Depen-MG, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o Ibama e o Conselho da Comunidade da Execução Penal. Atualmente, são quatro custodiados da unidade participando da produção de brinquedos, e cerca de 50 conjuntos de brinquedos lúdicos produzidos.

A madeira utilizada na produção dos conjuntos é oriunda de apreensões realizadas pelo Ibama, de resíduos que seriam descartados em queimadas criminosas. A partir desse material, são feitos itens que compõem kits educativos que são encaminhados à rede pública de ensino de Uberlândia, com o objetivo de estimular o desenvolvimento cognitivo e motor de crianças e pessoas com deficiência.

 Os kits incluem peças como o pentaminó (quebra-cabeça), labirintos, formas blox molde, taburacos, lançamentos de obstáculos, painéis sensoriais e encaixes de formas. Os brinquedos foram desenvolvidos por professores e pedagogos da UFU, juntamente com as faculdades de Arquitetura, Urbanismo e Design.

Para a professora da faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da UFU, Viviane Guimarães, o trabalho desenvolvido promove muito aprendizado. “Fomos convidados no final de 2023 para começar essa parceria, desenvolvendo os objetos a partir de resíduos. Começamos a trabalhar dentro de uma das disciplinas do curso, e depois evoluímos para um projeto de extensão. É uma iniciativa que sempre traz um grande aprendizado”.

Segundo a analista ambiental do Ibama, Adriana Magalhães, a iniciativa também vem ajudando a evitar queimadas criminosas. “As madeireiras pegavam os resíduos de material que sobravam e colocavam fogo para fazer o descarte, o que, além de configurar um crime ambiental, era um desperdício de recursos. Tivemos uma experiência interessante em Araguari com o sistema prisional, doamos madeira e eles fizeram brinquedos. A partir daí surgiu a ideia de reaproveitar esses resíduos que antes eram queimados”, explicou.

A mão de obra prisional, para além dos benefícios direcionados à comunidade local, serve como profissionalizante. Os custodiados envolvidos nas atividades desenvolvem habilidades de marcenaria e carpintaria, que podem ser utilizadas por eles dentro do mercado de trabalho quando egressos. O projeto também possibilita a remição de pena por trabalho, que permite abater um dia de pena a cada três dias trabalhados. 

O diretor regional da 9ª Região Integrada de Segurança Pública, Marcus Vinícius de Oliveira, destaca que o Projeto Recreando é um exemplo de como o sistema prisional pode gerar benefícios concretos para a sociedade. “É uma iniciativa que demonstra como parcerias e oportunidades podem transformar realidades”.